31 de mai de 2011

Taffarel: Grande talento aliado a um grande caráter!


Cláudio André Mergen Taffarel ou somente Taffarel, sem dúvida é um dos melhores goleiros da história. Conquistou diversos títulos tanto individuais como coletivos, 2 bolas de ouro e 1 de prata da revista placar, Campeão mundial de 1994, Copa da UEFA, pelo Galo foram um campeonato mineiro, uma Copa Centenario e um campeonato Mineiro.

Desde criança Taffarel dizia que gostava de quatro modalidades esportivas: Futebol, Vôlei, Natação e Handebol, a prática de vôlei acabou fazendo com que ele aprimorasse muito o seu tempo de bola, reflexos e outras características que um goleiro precisa para se tornar um dos melhores da história. Taffarel foi barrado duas vezes ao tentar passar nos testes do Grêmio (1981 e 1984), o técnico de seu time o Tupi confiando no seu talento o mandou para fazer testes no Inter e acabou dando certo, lá ele ganhou muitos títulos nos juniores e acabou chegando aos profissionais em 1985, permaneceu no Inter até 1990 quando se transferiu para o Parma da Itália.

A chegada de Taffarel ao Atlético foi digna de uma enorme festa em BH, ele havia acabado de ser campeão Mundial com a seleção e era a grande contratação do futebol brasileiro daquele ano, no Galo ganhou 3 títulos entre eles uma Copa Conmebol. Apesar de alguns atritos com a diretoria a sua passagem no Galo ficou marcada com grandes alegrias a Massa atleticana, sempre se destacou além de seu grande talento, também sempre foi um homem religioso e de caráter indiscutível. Taffarel deixou o Galo em 1998 após a Copa do Mundo daquele ano, foi para o Galatasaray e depois se transferiu para o Parma onde encerrou sua carreira no ano de 2003.

Sem dúvida alguma Taffarel foi um homem que conseguiu aliar o seu grande talento com o enorme caráter, essa junção o fez se tornar conhecido mundialmente. No Galo ao fim de cada treinamento ele procurava os funcionários deixando uma palavra amiga, era quem encabeçava as doações de cestas básicas aos funcionários do clube quando os salários atrasavam. Na sua despedida do Atlético deixou uma carta para toda a Massa.

"Mineiros,
Muitas vezes em entrevistas vocês me ouviram falar sobre o quanto eu estava bem em Belo Horizonte e o quanto foi importante para mim, minha carreira e minha família a acolhida que BH e todo o Estado de Minas Gerais me deram. A minha chegada, aquela emocionante e inesquecível recepção, os momentos felizes com um time de garra e coração como poucos, as tristezas que o futebol volta e meia traz, os altos e baixos foram divididos com muita dignidade.

A verdade é que estes três anos e meio que passei com vocês me fizeram sentir parte desse povo e a minha sensação foi retribuída quando, através da Medalha da Inconfidência, recebida das mãos do governador Eduardo Azeredo, senti a honra de fazer parte de uma terra tão importante na história do nosso País. No momento em que as coisas pareciam estar complicadas, foi Belo Horizonte, que por indicação do vereador Ronaldo Gontijo, me agraciou com o título de Cidadão Honorário.Sabem, eu estava em casa. Tão em casa que meus companheiros de time, meus treinadores (quase todos), e os funcionários do Atlético eram pra mim como uma grande família.
Toda esta identificação teve um preço, e eu não pude, muitas vezes, cruzar os braços vendo tantas injustiças que aconteciam com esta gente a quem eu quero tão bem. Na Vila Olímpi
ca, na concentração, no vestiário, no Mineirão, tantas vezes recebi meus filhos como se tudo aquilo fosse também um pouco meu.

Com quanta alegria eu ouvia a Massa Atleticana gritando: "El, el el, sai que é sua Taffarel!!!". Me lembro de cada cidade do estado de Minas Gerais e da maneira como sempre me receberam com palmas, gritos de incentivo e até homenagens, mas, sobretudo, com carinho e respeito. Depois de um gol sem explicação, de uma briga ou outra situação ruim, nunca faltaram mensagens de otimismo por parte da torcida do Galo. Bastava abrir um jornal no dia seguinte e lá estava o atleticano me dando o maior crédito. E este é o tipo de coisa que marca a vida da gente.
Amizades verdadeiras não faltaram neste tempo em que estive com vocês, dentro do meu clube, todos, e fora dele, muitos. Tantas vezes recebi cumprimentos de cruzeirenses e americanos que, independentemente das cores, provaram com isto a esportividade que falta ao futebol hoje. Gostaria

de citar o nome de todos os amigos, de todas as pessoas que me deram força, de todos os torcedores que gritavam meu nome, de todos. Mas escolhi um que representa bem o verdadeiro mineiro, o tipo de amigo, fã que todo jogador gostaria de ter e que eu tive: Gerson Sabino (ele deixou BH antes de mim).
Dentro da imprensa também fiz amigos que me ajudaram a esclarecer para muitos o que não era do interesse de poucos. E foi também esta imprensa que me elegeu para Troféu Guará, Kafunga e como uma das 100 personalidades esportivas nos 100 anos de Belo Horizonte.
Tudo isto e mais os títulos e quase títulos com o Galo, coroam estes quase quatro anos. Agradeço a Deus por tudo e pela oportunidade de ter vivido o que vivi porque no meu coração vou ter sempre a recordação calorosa e simples deste povo das Minas Gerais. Afinal, só mesmo se eu fosse uma criatura amarga poderia deixar que poucos momentos de tristeza causados por pessoas de espírito tão p

obre, sobrepusessem as alegrias que vocês, meus amigos, me proporcionaram.
Se hoje estou deixando Belo Horizonte, não é por minha vontade, é porque relacionamentos profissionais como o que eu tenho com a diretoria do Atlético atingem limites e o limite foi atingido. O que eu quero dizer a vocês é que as diretorias passam, os jogadores chegam e vão embora, mas o Atlético Mineiro é uma instituição. Um clube de tradição, de força, de raça e com uma das maiores e melhores torcidas do Brasil. Por isso, mesmo sem TAFFAREL o grito do GALO vai continuar ecoando por todos os grandes estádios do país e onde quer que eu esteja, tenho certeza, vou ouví-lo.Um forte abraço, Taffarel."


"El el el vai que é tua Taffarel"

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