2 de nov de 2010

Coluna Thales Eduardo - Parabéns Telê !




02 de Novembro, dia de Finados. Nada Melhor do que lembrar alguem muito especial, que ja morreu. Alguem que deixou saudades, e essas, não só dos atleticanos, mas dos adoradores do futebol arte. Hoje Vamos lembrar do incomparavel, Telê Santana.

Telê, nascido em 1931, em Itabirito, interior de Minas, já tinha uma paixão desde criança, o Futebol. Claro que antes de ser técnico, tinha que ser jogador, e não foi qualquer um. Foi um brilhante jogador e é o terceiro a mais vestir a camisa do Fluminense RJ.

Telê sempre foi, um menino magrinho, e por isso foi apelidado de "tarzan". Não gostando disso, Mário Filho e Benício Ferreira, dois tricolores ilustres, resolveram promover um concurso para escolher um novo apelido para Telê. Os dois achavam que o jogador merecia algo mais honroso. Mário Filho criou o concurso com o tema "Dê um slogan para Telê Santana e ganhe 5 mil cruzeiros".
Ao seu final, mais de quatro mil sugestões tinham sido enviadas à redação do jornal. A que os torcedores mais gostavam era "Fio de Esperança". Telê orgulavasse, de ter recebido o premio Belfort Duarte, prêmio concedido aos jogadores de futebol que eram exemplos de disciplina.
Telê havia passado 10 anos sem expulsão. Claro, era essa atitude que se esperava do homem que inventara o futebol arte.

Mais ate ele, teve um mestre. Zezé Moreira, que na opinião de Telê, foi o maior técnico que conhecera. Zezé que mudara a posição de Telê, tirando-o de ponta de lança e o colocando de ponta direita. Essa posição, que facilitou a mudança de jogador para tecnico.
Ele era um observador e comandante técnico no gramado. Calado, sem falar muito, mas profundamente observador, ouvindo e executando o que os técnicos mandavam e sabendo o que estava certo e o que estava errado.

A carreira de jogador terminara. Telê havia começado uma nova fase em sua vida, agora como tecnico de futebol. Primeiro começou nos juniores, no própio Fluminense, onde passara vários anos de sua vida. Em 1969 Telê foi promovido, agora era técnico de um grande clube, e no ano de sua estréia não desapontou, foi logo ganhando o carioca e no ano seguinte o troféu robertão.
A diretoria do fluminense naquela época impediam os jogadores de ultiliarem o hall social do clube, mas para os treinadores eram liberados. Em um dia em que o treinamento se estendeu, os jogadores iam saindo junto ao técnico pelo hall social, foram impedidos por funcionários, e os jogadores tiveram que passar pelos fundos. Vendo aquilo o Jovem treinador pulou o muro das laranjeiras, e disse: Se meus atletas não podem usar a saída que eu uso, eu também não a usarei!”

Mais pra que essa ladainha de fluminense? onde entra o Galo nisso?

Agora! Depois de sair pelos fundos no Fluminense, voltou para Minas Gerais, em um Grande Clube: O Clube Atlético Mineiro.Telê chegou a sede o Galo dirigindo um 'Gordini' cinza. Era a primeira vez que o homem magro, de modos serenos, de 38 anos de idade, cruzava as portas de vidro do prédio da Avenida Olegário Maciel 1516. Foi ao terceiro andar onde ficava a diretoria. Lá estava o Presidente do Clube Nelson Campos.

Telê terminou a conversa, voltou para seu gordini. Depois desse dia teve ate uma discreta recepção no aeroporto da Pampulha marcou sua chegada ao Galo. Mais uma surpresa ainda o aguardara. Pouco tempo depois, o dono daquele Gordini desfrutaria um prestígio tão grande que nunca mais conseguiria ira parte alguma sem ser parado a cada metro.

Telê encontrou um galo, mal das pernas, tirou leite de pedra e deu uma cara nova aquela equipe, que ja estava nas dividas, e com salários atrasados, que lhe custaram um antigo campo.

Telê chegou e mostrou uma maneira diferente de trabalhar. Cancelou as punições e concentrações permanentes e implantou seu padrão, baseando no treinamento insistente e repetitivo. Esse era Telê, seu jeito mineiro de ser. Com o time que tinha, foi campeão mineiro, com uma campanha espetacular. Na reta final, contra o eterno fregues, o Cruzeiro, o Galo saiu perdendo. Mas virou, com 2 gols de Dario. O Galo foi campeão mineiro daquele ano, com 2 rodadas de antecipação. Festa da Massa.

Em 1971, Telê foi chamado de Mestre pela primeira vez. Com uma equipe modesta, a mesma que no final dos anos 60 não conseguia sequer conquistar o campeonato mineiro e vencer seu grande rival, conquistou o Primeiro Campeonato Nacional sendo a equipe mais positiva e sem usar da violência. Era fruto de um grande trabalho. Era a mágica do Mestre Telê.

Telê ficara no Galo ate 1975, ajudando na criação da geração de ouro. Ele gostava de dar coletivos entre o time profissional e o junior. Em um desses treinos, foi descoberto Reinaldo. Depois dele, vários atletas subiram para o profissional indicados por Telê, entre eles: Toninho Cerezo, Ângelo, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro.

Telê saiu do Galo, depois de várias criticas da Torcida e da Imprensa mineira. Vendo que seu ciclo no Galo estava no fim Telê pediu demissão e foi treinar um clube do oriente médio.
Sábio Telê, ele que foi o primeiro técnico brasileiro a brilhar fora do país.

Telê era adorador do futebol arte, do futebol ofensivo. Na seleção, foi teimoso e mesmo com o resultado favoravel, mandou a equipe atacar. Resultado Brasilei eliminado da copa.

Ná epoca telê era só mais um. Para a imprensa, ele era teimoso, pé frio e foi escorraçado pela imprensa nacional.

Em 1987 começou recuperar o prestígio quando voltou a dirigindo o Galo na Copa União. Com uma equipe modesta, Telê montou um belo esquema e o Galo só não foi campeão porque o regulamento da competição era absurdamente mal feito.

O galo perdeu esta competição, e a fama de pé frio voltou, mas desta vez, suas qualidades foram reconhecidas.
Em 1988 votou a ser campeão mineiro pelo Galo. Desse ano em diante, teve seu trabalho reconhecido.

Ao contrário do que muitos atleticanos imaginam, Telê Santana nunca torceu para o Galo quando jovem. Quando criança torcia em Minas para o América de BH, time de preferência de seu pai. Apesar de ter uma grande legião de Fãs vindas da torcida atleticana Telê era mesmo tricolor das Laranjeiras, clube pelo qual defendeu por mais de 10 anos com jogador.

Telê foi sim um grande profissional e de tão dedicado angariou admiradores atemporais em quatro grandes clubes do Brasil que são eles: Atlético, Grêmio, Fluminense e São Paulo. Essa admiração foi maior na torcida do Galo, que de tão agradecida por Telê dirigir uma equipe modesta ao título de Campeã Brasileira em uma época de Pelé e Tostão, ele acabou virando atleticano. E ao final de sua vida, quando refugiou-se em Belo Horizonte, deixou por várias vezes ser fotografado com a camisa atleticana e foi visto no Mineirão comemorando vitórias e títulos do Galo, como aconteceu no ano de 2000.



Em 1996, Telê foi diagnosticado com uma isquemia cerebral. Teve que se retirar do futebol.A doença o debilitou progressivamente até que em 21 de abril de 2006 faleceu.

Telê, técnico que mais vezes jogou pelo atletico, unico campeão brasileiro pelo clube, e mesmo torcendo por outras equipes, sempre foi adorado pela nossa torcida.

Parabens Telê!

O Galo de Prata de Hoje, é Seu!

3 comentários:

Parabens tele vecê merece!!!!!!

Bela coluna ralatando a vida dessa grande pessoa que é o telê !

Esse merece. Se o futebol nos desse 1 Telê por década, seríamos mais felizes.

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